Alessandra Campanha fala para a Revista do Correio sobre tendências nascidas na internet

Conheça a moda nascida na internet: e-girl, soft girl e VSCO girl

Saiba as diferenças entre os estilos que conquistaram as redes sociais e se adaptam à autenticidade da juventude


Que a internet é um espaço riquíssimo para conhecer modas e jeitos diferentes de se expressar, isso não é novidade. O que nem todo mundo sabe é que, nessas idas e vindas entre uma rede social e outra, é possível encontrar, também, formas de autoconhecimento e experimentação que extrapolam os parâmetros estéticos, podendo revelar aspectos da personalidade que, até então, não eram conhecidos nem pela própria pessoa.


Alguns estilos bem contrastantes entre si, como o soft girl, o e-girl e o VSCO girl, têm se popularizado entre os internautas, principalmente, talvez, por suas características bastante singulares, mostrando que é possível se comunicar por meio da moda. Isso não significa, porém, que seja possível julgar ou conhecer uma pessoa a fundo apenas pela aparência. Ninguém deve ser reduzido às peças de roupa que escolhe para vestir. No entanto, para além desse aspecto, e olhando para a dimensão da linguagem visual, o que cada uma dessas estéticas representa?


A meiguice das soft girls

O estilo soft girl tem como principal característica a performance da feminilidade e da delicadeza. Como o próprio nome já diz, a palavra “soft” vem do inglês e significa “suave”, ou seja, quem segue essa tendência privilegia o uso de roupas e acessórios meigos e graciosos, às vezes até infantilizados. A principal influência vem da cultura coreana, especialmente do K-Pop, além de referências dos anos 1990 como a cantora Emma Bunton (Baby), da banda britânica Spice Girls.


As roupas desse estilo têm, predominantemente,S tons pastéis, como rosa, azul e lilás. As estampas preferidas são de padronagens infantis como nuvens, corações, estrelinhas, flores e xadrez suave. Os acessórios, como presilhas e pulseiras, são delicados e se contrapõem com as peças largas e volumosas, como moletons, suéteres e botas com solado plataforma.


Na maquiagem, a preferência é por composições suaves, e a pele geralmente é bem iluminada, com blush rosinha ajudando a realçar a ‘fofura’ do estilo. “Eu não acho que adotei o estilo, eu me encaixei. Sempre me vesti assim e sempre tive inspirações românticas e fofas para refletir, de certa forma, a minha personalidade. Coincidentemente, o estilo se popularizou na internet!”, conta a brasiliense Anne Freitas Faria.

Anne Faria (@annefariaa): "Eu não adotei o estilo, eu me encaixei". (foto: Arquivo pessoal )

A digital influencer usa o seu Instagram (@annefariaa) para mostrar seus looks estilo ‘boneca’ e explica que suas maiores inspirações vêm da moda asiática e da famosa estilista francesa Coco Chanel, que tinha um visual bastante romântico e clássico. “É realmente uma mistura e construção de tudo o que eu sou, refletida no que visto e em como me mostro ao mundo”, completa.


E-girls: o oposto das “soft”

Contrastando completamente com as soft girls, as e-girls preferem composições mais pesadas e escuras, tanto nas roupas, quanto nas maquiagens. Influenciado pela cultura gamer e por tendências anteriores, como emo, gótico e punk, o estilo é marcado por roupas de cores escuras e marcantes, como preto, vermelho e roxo.

Luiza Setra (@luhsetraoficial), 19, conta que tudo começou no TikTok. Ela se sentiu inspirada por outras E-girls e hoje conta com mais de 3 milhões de seguidores na plataforma (foto: Luiza Setra/Instagram)

Os acessórios são pesados, com o uso de correntes, gargantilhas, braceletes de couro e coturnos com solados tratorados. As e-girls também costumam usar peças sensuais, como a meia calça arrastão. As estampas, por outro lado, são leves, como anjos barrocos, gatos, xadrez e listras.


A digital influencer Luiza Setra, 19, revela que foi inspirada pelo TikTok na hora de escolher seu estilo, e conta hoje com mais de 3 milhões de seguidores na plataforma. Em seu canal no YouTube, a jovem também ensina a fazer maquiagens na estética e-girl, além de compartilhar dicas de como se vestir. “Eu me inspiro nas maquiagens da cantora Melanie Martinez para fazer as minhas”, explica a jovem paulistana.

As makes desse estilo são bem carregadas, com sombras fortes, escuras e marcadas. O carimbo de coração abaixo dos olhos é um ícone da tendência e os cabelos geralmente são descoloridos ou tingidos de prata, pink ou outra cor neon, muitas vezes com penteados descontraídos e franjinha.


VSCO girls e a ressignificação do básico

Básicas, mas sem serem simplórias. Assim são as VSCO girls, que se inspiram em visuais dos anos 1980 e 1990 para criarem looks casuais e despojados. Blusas largas, calças de cintura alta e scrunchies, as famosas ‘xuxinhas’ de cabelo, são os itens mais usados por quem adere a esse estilo. Além disso, o conforto também é uma palavra-chave para definir a moda que mistura alguns elementos modernos, como mochilas, meias de cano alto e tênis, com outros mais vintage e praianos, como colares de búzios e estampas tie dye.


“O estilo VSCO girl é a forma como eu me sinto mais confortável para me vestir. É uma moda que surgiu recentemente e eu sinto que surgi também com ela. Passei a adotar esse estilo assim que ele ‘estourou’, porque me identifiquei muito com ele e comecei a, de fato, me vestir como gostava”, revela a estudante de arquitetura Kataryne Louzada (@_katyaraujo), que conta sempre com peças diferentes para se vestir sem perder a sua originalidade. “Procuro ser diferente do meu jeito”, completa.


Bem mais clean do que os dois anteriores, esse estilo surgiu também na internet, mais especificamente de um aplicativo de edição de fotos chamado VSCO Cam, que possui uma comunidade própria de usuários que compartilham diariamente fotografias usando os filtros da plataforma. Dentro desse nicho, existem meninas que se destacaram por lançarem tendências, e não demorou para que elas começassem a fazer sucesso também no Instagram e no TikTok.

Kataryne Louzada (@_katyaraujo) busca por peças diferentes dentro da estética VSCO Girl para não perder a sua originalidade

As cores mais usadas são as de tom neutro, e a maquiagem não costuma ser carregada. Por passar um aspecto de maior simplicidade na escolha das roupas, o estilo realça a presença de acessórios, que acabam ganhando grande destaque na hora de compor o look.


Moda como identificação

A busca por novas possibilidades de autoexpressão, mesmo em um difícil período de inúmeras incertezas, revela que não há limites para a criatividade de quem quer se mostrar ao mundo. A moda está aí para provar que é possível se reinventar e descobrir versões cada vez mais autênticas de si mesmo. E, na era digital, os cliques fazem a ponte de encontro entre uma tendência e outra.


“A moda, que por si é tendenciosa, é um molde que se replica. É um reflexo do cenário político e cotidiano das pessoas, por isso está em constante mudança. As redes sociais são a grande revolução do século, pois intervêm diretamente na percepção das pessoas, seja na cultura ou no processo de construção identitária de cada um. Elas cumprem esse papel de replicar, de interligar e convergir um diálogo, ou seja, é uma interface contínua de inspiração”, explica o designer de moda Matheus Rodrigues de Matos.


Consultora de marketing e imagem pessoal, Alessandra Campanha pontua que as novas formas de divulgar novas estéticas refletem também a mudança de hábitos dessa geração, que é muito mais digital. “Não é diferente de como sempre foi. As redes sociais são a versão democrática, expressa e segmentada das revistas de moda, que também tinham nicho de mercado e falavam com públicos específicos: adolescentes, jovens adultos, roqueiros, skatistas, surfistas e por aí vai”, explica.


“Vale lembrar que o estilo não é definido apenas pelo vestuário, mas também pela personalidade e ambiente social. É uma expressão direta de todo um estilo de vida”, completa a profissional.


Fonte: Revista do Correio

Por: Bruna Yamaguti, Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

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