Revolução têxtil e o velho clichê que moda sustentável é para os hippies


A parceria entre a Adidas e Parley For Oceans traz lindas peças feitas de plástico reciclado coletado de praias remotas e comunidades costeiras.

Já começo esse texto quebrando os esteriótipos com uma linda coleção de moda esportiva criada em 2017 pela empresa alemã Adidas.


Em parceria com uma organização que atua na conscientização global sobre a fragilidade dos oceanos - Parley Fot The Oceans - foi criada uma linha com itens femininos e masculinos que inclui tênis, impresso em 3D com plástico coletado na natureza, legging, short e outras peças que se renovam a cada coleção.


Em paralelo a esses esforços, outras inovações acontecem na indústria têxtil, especialmente no que diz respeito aos tecidos multifuncionais - que não sujam - e às novas opções de tingimentos não poluentes.


Os derivados de sementes, casca de alimentos e frutos são os mais populares mas recentemente a startup francesa de biotecnologia Pili saiu na frente criando pigmentos secretados por bactérias para tingir tecidos.


A descoberta de 2017 ainda não ganhou escala mas é uma alternativa aos corantes derivados de petróleo. Confira o vídeo explicativo a baixo.


Jeanswear

Entre as tantas mudanças no setor têxtil, a indústria do jeanswear também está se reinventando apostando no conceito da reutilização. A reciclagem feita a partir dos fios de algodão vindos das sobras de tecidos das coleções passadas tem sido recorrente. Resumidamente o processo é assim: uma máquina desfia e cria um novo tecido plano que possa ser novamente cortado.


No Brasil, a tecelagem Vicunha Têxtil vende no atacado, Riachuelo e Renner já fazem isso e vendem suas coleções no varejo.


Essa técnica permite criar novas peças exatamente como se fosse a primeira vez.


Outra inovação que impacta menos no meio ambiente é o corte e desgate de estilo a laser. O corte por computador garante maior aproveitamento do tecido e a estilização a laser retira o uso de pedras e alvejantes.



Tricot

Empresas como a Nike, Under Armor, Adidas, Uniqlo, Benetton entre muitas outras, estão trabalhando com um processo chamado de urdidura. É exatamente como uma impressão 3D, mas feita por máquinas computadorizadas de tricot que fazem roupas sem costura a partir de uma imagem no computador. Não existe desperdício de materiais durante o processo de fabricação e a peça já sai praticamente pronta da máquina necessitando apenas de acabamento.


No caso da marca italiana Benetton uma camisa de manga longa de 130 gramas é produzida com apenas um único rolo de 500 metros de fio, tecida sem costura (sem incômodos) numa máquina de tricot 3D. A peça leva uma hora para ficar pronta. Depois de um certo tempo de uso, a malha pode ser devolvida na loja para ser enviada de volta à fábrica para reciclagem.


Na fábrica, a malha é cuidadosamente picotada e depois transformada quimicamente num novo rolo de fio, para ser reutilizado na máquina de tricot e tecer uma ‘malha de fio único’ com novo design.


Com a nova tecnologia de reciclagem química com líquido iônico, este processo poderia ser repetido infinitamente com a adição esporádica de pequenas quantidades de fios novos para tecer fios de alta qualidade.


Na Primeira Revolução Industrial as tecelagens substituíram os teares manuais por máquinas mecânicas. Agora, com a era da Revolução Industrial 4.0, as máquinas compactas substituem os artesãos, que precisarão se especializar em técnicas de acabamentos e pequenos detalhes manuais.


Consumo Consciente

Produzir de maneira mais limpa e com consciência ecológica é um objetivo que já começou a ser trabalhado nas cadeias de produção. E a sustentabilidade na indústria têxtil, cada vez mais, está se tornando uma prática de engajamento que resulta em lucratividade.


Todas essas iniciativas são válidas. É utopia pensar que o consumo irá diminuir. Nos manteremos apegados à busca pelo que é novo.

Todos vivemos fases, e em cada uma dessas fases novos desejos e até mesmo necessidades aparecerão. Qual grávida e nova mamãe não sente a necessidade de adequar o guarda-roupa? Que empresário não sente a pressão por novos ternos depois de uma grande promoção profissional? Quem vai andar em roupas apertadas e desconfortáveis por ter ganhado peso? Então, o que se faz necessário é o consumo consciente.


Marco Lucietti, diretor de marketing global de um dos maiores fabricante de denim, a Isko, diz que o consumidor terá um crescimento desta consciência mas somente em 2030. "A previsão é de que neste período nós vamos ter que decidir se vamos alimentar pessoas ou regar o crescimento do algodão".


Digitalização da Moda

Com as diversas inovações tecnológicas disponíveis hoje e as inúmeras que estão por vir, as possibilidades de design são infinitas. De acordo com as previsões, a expectativa é que a criação de uma roupa não vai mais se restringir à equipe de estilo de uma marca, ele poderá ser decidido e fabricado por cada um de nós, mesmo sem qualquer conhecimento de corte e costura. O que vale é expertise.


A ideia é que poderemos comprar arquivos para download de coleções totalmente digitais que serão impressas em casa. E com o apoio de um scaner corporal também poderemos inventar nossas próprias roupas e imprimí-las somente quando necessário.


Nesse cenário futuro, novas oportunidades de mercado aparecerão para suprir as necessidades das impressões residenciais de roupas em 3D.





E aí, ainda considera Moda & Sustentabilidade conversa de "bicho grilo"? ;)



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Como Organizar Um Guarda-Roupa, clique aqui.

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